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A ética do Networking

Há alguns anos tive um professor que, ao discorrer sobre as estratégias empresariais, costumava mencionar a frase “o mundo é mau!”. Outra pessoa que conheço utiliza-se com freqüência da expressão “o interesse move o mundo...” É obvio que, da minha parte, seria ingenuidade, e até mesmo infantilidade, chocar-me com este tipo de afirmativa.

Sim, é claro que as pessoas são movidas pelos seus interesses, mas existem inúmeras formas de fazer isso. E a forma que uma pessoa escolhe está intrinsecamente relacionada aos seus valores... à sua ética.

No campo das relações profissionais, tenho visto com certa freqüência textos e até mesmo anúncios publicitários incentivando a prática do networking, com frases como “relacione-se com quem você precisa” ou “mantenha contato com quem você pode vir a precisar”.

Com a internet vieram os acessos às informações, a agilidade dos e-mails e a facilidade das redes sociais. Assim, conhecer pessoas e manter contato com velhos conhecidos passou a fazer parte da rotina de muitos. Ou seja, praticar networking ficou fácil. Mas antes de alongar os dedos e começar a clicar, sugiro algumas reflexões...

O que você espera de cada um de seus contatos? O que você pode oferecer-lhes em troca? O que vocês têm em comum? Que tipo de informações vocês poderiam compartilhar para o engrandecimento de ambos?

Se todos mantivessem contato apenas com aqueles de quem pudessem precisar algo, quantas pessoas o procurariam? Agora imagine que, ao atender a necessidade destas pessoas, você poderá ser simplesmente descartado ou até ignorado. Como você se sente? Será que vai ser retribuído quando chegar a sua vez de precisar da pessoa?

Isso é networking?

Manter contato com pessoas gera aprendizado, na medida em que as experiências são compartilhadas. O trabalho e o desenvolvimento das atividades diárias produzem um conhecimento único e muito especial que nenhum banco universitário poderá oferecer. O compartilhamento destas experiências engrandece a todos.

Observe que utilizei o termo “compartilhar”, portanto, a troca é fundamental. Não conheço ninguém que aprecie ser “sugado” e, quando não é mais necessário, ser displicentemente descartado.

Networking é troca, compartilhamento, apoio e orientação mútua. É um relacionamento e, como tal, é uma via de mão dupla. Se, além disto, você conseguir uma indicação a um novo emprego, ou uma oferta comercial, melhor ainda!

Mas o “sugar” que tem vindo intrínseco e disfarçado de networking precisa parar. “Sugar” um emprego, uma indicação, informações privilegiadas e até mesmo conhecimento, é uma atitude egoísta e, como tudo no mundo que é “sugado” e não é reposto, os contatos também se esgotam.

Lembre-se que ética é uma das prioridades do mundo corporativo do século XXI, formado e desenvolvido em meio a conceitos como governança corporativa, sustentabilidade e responsabilidade... Mas, se mesmo assim ela não for importante para você, faça-o, nem que seja apenas pelo zelo à sua imagem profissional.

Cuide de sua rede de contatos com ética, ou será melhor não tê-la.

Flávia Garbo

Flávia Garbo
Gerente de Desenvolvimento Organizacional da Luandre

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