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Gestão flexível requer transparência
Respeitar as diferenças, levando em consideração as necessidades individuais de cada um. Eis a chave que abre as portas para um tratamento justo para com os colaboradores. Isso, claro, sempre prezando pela absoluta transparência. Essa postura permite que os gestores aportem num ambiente seguro, em que suposições de possíveis privilégios para uns em detrimento dos outros cedem espaço ao respeito, à compreensão e, por que não, à motivação da equipe.
O tratamento dispensado a um colaborador é tema delicado, sem dúvida. Conceder algumas regalias, portanto, é um terreno fértil para um falatório sem fim, caso os processos adotados não sejam adequados. Exemplos como o de um funcionário pedir para sair mais cedo por um período para fazer algum curso ou por estar enfrentando algum problema são bem comuns, mas, dependendo de como é lidado pela empresa, podem trazer desconfiança, inveja e acabar repercutindo negativamente no trabalho dos demais.
Calma. Isso não é o fim do mundo. Para alguns especialistas, o receio de criar um ambiente árido de trabalho não deve ser motivo para inibir certos incentivos ou para abrir exceções ao cotidiano da empresa.
Segundo Arthur Diniz, diretor da Crescimentum, especializada na formação de líderes, esse é um investimento que a companhia está fazendo no funcionário. “Quando o colaborador é de alta performance, totalmente diferenciado, não tem problema abrir essa exceção, até porque, o tempo que ele vai passar fora é para se formar”, conta.
De acordo com o executivo, o sucesso em manter a estabilidade no ambiente de trabalho depende muito da forma com que é concedida a regalia. Se ela é feita seguindo uma comunicação limpa e direta – sobretudo com os demais --, as chances de causar algum mal estar entre os colaboradores cai certamente.
“A mudança tem que ser muito bem comunicada para que todos saibam quais os critérios que levaram a essa decisão e para que os colaboradores tomem conhecimento do que precisam fazer para receber esse ‘benefício’, caso um dia precisem dele”, afirma Diniz. Nesse cenário, essa postura chega, inclusive, a ser um motivador. “É equivocada a ideia de que todos devem ser tratados igualmente”, diz. “E, para sair do ‘achismo’ e objetivar a questão, é necessária uma avaliação de performance que aprove esse tipo de exceção. Feito dessa forma não deverá gerar grandes problemas”, complementa o executivo.
A palavra transparência também está na ponta da língua de Wilson Roberto Lourenço, sócio diretor da Compass Desenvolvimento Humano e Empresarial. Segundo o especialista, toda a ação deve ser acompanhada, necessariamente, de clareza. Assim, afastam-se os problemas. “Quando você toma uma decisão para parte da equipe, para a sinergia do grupo se manter estável, tem que ser assim, o mais honesto possível”, explica. “Afinal, no momento em que se suprime a transparência, cria-se a oportunidade para a equipe pensar e falar coisas indevidas”, emenda.
Lourenço acredita que há várias formas de contornar essa situação, mas o importante é não perder o controle. Se a exceção for prejudicar gravemente as atribuições do próprio colaborador, é necessário avaliar o impacto no processo para que as consequências não sejam tão alarmantes. E, se necessário, conversar com o requisitante e negociar. “Não pode deixar a moda pegar e prejudicar a rotina e os processos em geral. Porque se a regalia é mal justificada, a empresa pode partir para um sistema de compensação sem critério e isso vira uma bola de neve nociva para todo mundo”, alerta.
Fonte: Canal RH
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