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Onde anda a motivação?

Apesar da vasta literatura a respeito, a motivação ainda é um grande desafio para muitos líderes e profissionais de Recursos Humanos. Desafio, simplesmente porque é uma questão pessoal: o que motiva uns, não motiva outros, e, num universo de centenas (ou até milhares) de funcionários, como promover ações para atender a esta infinita variedade de expectativas e sonhos?

Dada a pessoalidade da questão, projetos complexos são elaborados, mesmo que muitas vezes são esquecidas algumas regras básicas, que, se atendidas, podem auxiliar bastante para que a motivação geral seja promovida.

Uma delas é a criação e manutenção de uma política de gestão de pessoas justa e transparente. Isto envolve desde um processo de recrutamento e seleção respeitoso para com os candidatos, sistemas de avaliação de desempenho, remuneração e plano de carreira, justos e transparentes, pesquisas de clima sigilosas e que resultem em ações práticas, comunicação interna clara e eficaz, e, até mesmo, desligamentos inteligentes e maduros.

É importante alertar que “justiça” não é um conceito universal. O que alguns podem achar “justo” outros podem avaliar como “injusto” e, neste caso, o mínimo é o funcionário entender os motivos de acarretam as ações da empresa e ver coerência nos mesmos.

Além destas questões gerais, uma liderança eficaz é imprescindível. Conheci inúmeros profissionais que idolatravam a empresa, porém, não toleravam seus gestores, o que torna insustentável o dia-a-dia de trabalho.

Outra questão básica é a definição das metas, que, para serem motivadoras, devem ser tangíveis e, ao mesmo tempo, desafiadoras. Metas inalcançáveis são tão desmotivadoras quanto as que são facilmente atingidas. Em ambos os casos, o funcionário se frustra com a meta no mesmo instante em que toma conhecimento da mesma.

Qualidade de vida também é vital para a motivação de qualquer profissional. Aqueles que não tem hora para chegar e, principalmente, para sair do trabalho, tendem a sentirem-se fisicamente esgotados, estressados, e, até mesmo, depois de passado algum tempo, passam a adotar uma postura de “explorados” pela empresa, portanto, vítimas da organização. E não existe vítima motivada!

As regras e normas da organização também devem ser desenvolvidas com uma visão bilateral: do empregador e do empregado. A partir do momento que elas pendem para um lado, o outro passa a sentir-se lesado e, portanto, passível de romper o vínculo.

A relação do profissional com seus colegas também deve ser observada, pois relações delicadas, cheias de melindres, grosserias, traições e competitividade predatória minam qualquer ânimo profissional.

E, por fim, mas não menos importante, é a relação que o profissional tem com o seu trabalho. Fazer o que gosta é infinitamente motivador para todos, porém, poucos podem se dar ao luxo de alimentar este prazer. Portanto, o mínimo que se espera é que a pessoa não realize atividades consideradas repugnantes. Acreditar no que se faz é a chave para fazê-lo bem.

Observados estes pontos básicos, cabe analisar o que é motivador para cada um, pois, alguns querem postos mais altos, outros, projetos inovadores, outros querem simplesmente estabilidade profissional, e atender tais expectativas é vital para a manutenção do ânimo e do comprometimento do colaborador.

Enfim, observe e lembre-se: não adianta implantar programas mirabolantes se estas questões básicas não estiverem atendidas. Pense nisso!

Flavia Garbo - Gerente da área de Desenvolvimento Organizacional da Luandre
Psicóloga, MBA em Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (FGV) e com experiência de 16 anos na área de Recursos Humanos.

Enfim, networking é troca. Lembre-se disto e certamente terá uma rede de contatos saudável e produtiva.

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