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Puxa-saco, eu?

Política no trabalho costuma dar bons resultados, mas tem de ser bem-feita para não parecer mera bajulação.A figura é conhecida. Mal chega ao escritório, já passa pela sala do chefe para um sonoro bom-dia, antes até de guardar os pertences.

Na hora do almoço também não dá folga. Insinua-se das mais diversas maneiras e acaba arrumando uma vaga na mesa dos superiores. Pode ser engano, mas todo mundo jura que é nesse momento que ele entrega os colegas.

E os elogios exagerados? O chefe é o mais elegante, tem um poder impressionante de persuasão, é dinâmico, sábio, experiente e suas idéias parecem saídas da cabeça de um gênio. Ninguém agüenta mais. Nem o chefe.

Claro que essa dramatização pode vir de um reles bajulador interessado em compensar com agrados a falta de competência para subir rapidamente na carreira. Mas nem sempre é a explicação. É possível que seja pura falta de jeito para lidar com a tão recomendada política no trabalho, que os consultores garantem ser imprescindível para a ascensão profissional.

Se há duas pessoas igualmente capazes buscando uma promoção, sendo uma agradável, bem-humorada e sempre à disposição da chefia, e a outra tímida, fechada, quem você acha que será escolhida? Sim, a que se movimenta com mais desembaraço. ''O bom profissional é o expert na função e também bom espumeiro'', define Felipe Assumpção, presidente da Spencer&Stuart, consultoria especializada em encontrar talentos para as empresas.No jargão dos profissionais de recursos humanos, espumeiro é aquele que cria oportunidades para expor as idéias e divulgar uma imagem positiva de si próprio.

Cada um procura a melhor maneira para dar conta disso. A consultora de negócios paulista Mara Regina Diamantino assume que não economiza energia para agradar a diretora da empresa, Rosane Deffune. Também não se incomoda com prováveis comentários maldosos dos colegas. ''Sempre que posso almoço com a chefinha, trago uma bala, um chocolate'', admite. O último presente foi um perfume francês no dia de seu aniversário. ''Não vejo nada de errado na minha atitude, gosto de me dar bem com todo mundo'', explica. ''Além disso, tenho certeza de que sou boa profissional.''

A afinidade de Mara com a superior é tanta que muitos acreditam que ela controla a agenda da diretora. ''Essa relação próxima ajudou na minha ascensão, mas não foi só isso que contou'', assegura. Rosane aprova esse comportamento. ''Não há nada melhor que alguém agradável, com bom humor e ainda eficiente'', diz a chefe.

Nem todos concordam. ''Considero péssimo. Sempre deixo claro que comigo não funciona'', comenta Oswaldo da Costa Caldeira Júnior, supervisor de vendas de uma concessionária paulista. Quem comanda sabe se está diante de um bajulador ou de alguém disposto a ter apenas um bom relacionamento. É evidente que sabe. E, por mais que não admitam, muitos até adoram ter por perto alguém sempre disposto a afagar seu ego. O subordinado é quem geralmente fica no escuro e leva tempo para descobrir qual a postura certa para agradar. Nos mais tímidos, o medo de parecer um desprezível puxa-saco pode levar à atitude inversa.
Dirigem o mínimo possível a palavra a quem ocupa um alto cargo na hierarquia e oferecem biscoitos para todos, menos para essa pessoa.

Fonte: Site Claudia

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