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A vantagem de ser feliz no trabalho

Especialistas e profissionais dão dicas para tornar a carreira uma atividade de prazer e consequente sucesso.

Alcançar o sucesso profissional é uma tarefa extremamente desafiadora em qualquer carreira. Ser uma pessoa realizada e feliz no trabalho, ainda mais difícil, mas não impossível. Por falar nisso, como você se sente em sua profissão?
Caso o seu grau de satisfação esteja insatisfatório, mantenha a calma, pois cultivar a felicidade na rotina laboral depende apenas de força de vontade, dizem especialis. E um esforço que vale a pena.
“Aristóteles já dizia que felicidade é o significado e a proposta da vida”, afirma a vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Sâmia Simurro.
“As pessoas felizes são mais produtivas e criativas, melhores negociadoras, mais cordiais e sabem enfrentar melhor o estresse diário. Além disso, os grandes líderes são os que se consideram mais contentes com o trabalho”, destaca.
A fórmula da felicidade, segundo ela, está na atividade intencional. “Precisamos ter muita disposição e promover situações para nos sentirmos satisfeitos no âmbito profissional. Traçar metas de conquista e buscar o autoconhecimento são os passos iniciais”.
De acordo com o parapsicólogo Geninho Goes, essa missão envolve também uma mudança de paradigmas. “Esqueça a ideia do ‘ter que trabalhar’. Que tal substituir pela frase ‘eu quero trabalhar’? Muita gente vê o trabalho como uma prisão, algo negativo. Prova disso é a comemoração quando chega a sexta-feira”, argumenta.
Ele ressalta que a (in)felicidade é uma consequência pessoal plantada no momento da escolha da profissão. “Quais são as coisas boas que o trabalho traz para você? Pense bem nisso e nas diversas opções de carreira que o mercado oferece. Algo vai ser ajustar ao seu perfil.”
Dedicação e entrega são outros quesitos imprescindíveis para uma sensação saudável. “Quando estamos engajados num assunto, sequer sentimos as horas passarem. Devemos nos ater ao momento presente, viver o agora em vez de entrar em crise por situações futuras. A pressão por questões que sequer ocorreram traz não somente infelicidade, como problemas de saúde”, diz Sâmia.

Fontes de Tensão
Para ser ou não ser feliz no trabalho, é necessário ficar atento a cinco itens, na opinião da psicóloga Betania Tanure: “O primeiro deles é o dilema do tempo, a cobrança que fazemos a nós mesmos sobre a falta de horas para realizar todas as tarefas”, declara a autora do livro Sucesso e (In)felicidade.
O segundo ponto é a auto-desconfiança. “É preciso saber reconhecer as competências, aceitar elogios e confiar na opinião externa. Vemos muitos profissionais de alto gabarito que não acreditam em si mesmos e acabam se frustrando desnecessariamente.”
Mudanças radicais constantes na rotina de trabalho devem ser ponderadas. “por medo, acabamos aceitando funções que não nos agradam e, com isso, atraímos mais insatisfação. O diálogo é essencial para evitar isso, mas não poucos que praticam esse hábito”.
O quarto item, e um dos mais importantes, é o de orgulho e afinidade em relação ao destino escolhido para a vida profissional. “Gostar do que faz é a base de tudo. Não significa viver num mar de rosas, afinal todas as carreiras têm seus pontos positivos e negativos, mas quando os olhos brilham tudo flui melhor”, acredita.
A última dica de Betania está ligada ao relacionamento com o próximo. “Elogiar os outros e construir relações amistosas são práticas excelentes para criar um ambiente de trabalho saudável. A conquista do outro é um passo importantíssimo para iluminar o caminho por onde trilhar nossas carreiras”, destaca.

Saúde
Para Alberto Ogata, presidente da ABQV, as atividades extracurriculares são fundamentais para fomentar a felicidade. “Aprender coisas novas é estimulante e nos dá disposição para pensar positivamente. O lazer também influi com o relaxamento e a recarga das energias.”
De acordo com ele, todos os profissionais devem se esforçar para fazer uma pausa momentânea em meio à correria diária. “Nem que seja por um minuto, mas não deixe de realizar um intervalo para concentração. Lave o rosto, desligue um pouco a ‘tomada cerebral’ para diminuir o desgaste causado pela rotina”, orienta.
O segredo da felicidade, segundo Geninho Goes, está no equilíbrio das oito saúdes: profissional, física, espiritual, social, emocional, intelectual, financeira e familiar.
“Jamais estaremos 100% completos, mas podemos desenvolver fortes pilares para segurar nossa estrutura do ser feliz. A vida se torna melhor quando paramos, avaliamos o que de fato é importante e agimos para alcançar os objetivos”, opina.
Mais complicado do que desenvolver a motivação para ser feliz é alimentar a chama da felicidade. Mas, assim como o primeiro passo, não se trata de algo impossível, “Vibre com cada conquista alcançada, administre seus problemas e tente resolvê-los com tranquilidade. E o mais importante: deixe de fazer as tarefas somente por dinheiro. O segredo do sucesso está em fazer aquilo que gostamos mesmo se fosse de graça, mas sabendo que no fim do mês você receberá por isso”, afirma Goes.
“Uma recente pesquisa da Universidade Metropolitana de Tóquio apontou que 80% dos executivos do Japão são insatisfeitos na vida profissional. Uma amostra de que o fator financeiro não é sinônimo de pessoas felizes”, acrescenta o parapsicólogo.

Exemplos Felizes
Para quem acha difícil colocar em prática todos os conselhos dos especialistas, concentre-se então naquele que parece ser o essencial: gostar daquilo que se faz, o combustível básico da motivação.
Yasmini Ferrara, gerente de marketing da Passarela Calçados, descobriu por acaso a sua carreira dos sonhos. “Comecei na empresa como assistente de compras, mas mudei da área pelas necessidades da empresa”, conta a profissional de 25 anos.
“Sempre achei interessante a exposição que o marketing proporciona e o fato de não haver rotina. Em cada dia há um novo desafio, uma necessidade de buscar novidades, pensar diferenciado e a constatação de que há muito mais para aprender”, diz.
O sucesso financeiro, segundo ela, é uma grata consequência. “Quem vive pensando só no dinheiro nunca está feliz. É lógico que eu penso nos ganhos, mas o que me estimula é ver a produção, os resultados dos meus esforços”, justifica.
Ela acredita que o local de trabalho também influencia para felicidade. “Um ambiente produtivo nos incentiva a ir para o emprego. Além disso, há todos os estímulos para o desenvolvimento da carreira, algo fundamental para manter a empolgação dos empregados”.
Outro exemplo de profissional feliz no que faz é Marcelo Botelho, um apaixonado por tecnologia. “É muito mais que um trabalho. No meu caso, essa paixão foi 101% determinante par ao meu crescimento”, declara o diretor da empresa de comunicação digital Véus Technology.
Para ele, além de saber direcionar o talento a uma determinada área, todos devem fugir do ideal de realização. “Essa palavra me transmite finitude, por isso me considero ‘satisfeito’ com as minhas conquistas. Se um dia me sentir realizado, partirei para um novo desafio”, explica.
Aos 61 anos, a advogada Tânia Pereira gosta tanto da carreira que não consegue parar de trabalhar. “Acredito muito nmo que faço e busco hoje contribuir com a sociedade. É uma prática muito prazerosa, que aumenta a minha empolgação e anima os meus dias”, afirma. Na vara da infância do Rio de Janeiro, ela desenvolver um programa de assistência jurídica à população de baixa renda.
“As ações sociais intensificam nosso nível de felicidade, nos tornam pró-ativos e mais preocupados com a vida, com o ser feliz de fato”, acrescenta.
Para ser feliz é preciso também coragem. No caso de Bruno Lemgruber, a troca de uma carreira como empresário para assumir o papel de empregado de uma concessionária de carros de luxo. Mudança que só lhe trouxe benefícios.
“Tentei investir no ramo de franquias tenho o meu próprio negócios, mas não deu certo porque eu estava infeliz com a rotina morna. Gosto mesmo é de vender e sou apaixonado por veículos”, diz o funcionário da Eurobike.
“Atuar naquilo que gostamos traz felicidade e é meio caminho andado na jornada rumo ao sucesso. Os 50% restantes dependem de dedicação, desenvolvimento técnico e intelectual, enfim, muito investimento”, comenta.
Questionados sobre a possibilidade de mudar de área tendo como garantia um salário melhor, o ‘quarteto feliz’ foi unânime. “Não”.

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo