Dicas Luandre

O difícil momento da escolha profissional

Os jovens que me procuram para fazer orientação profissional, geralmente chegam ao meu consultório em um nível elevado de ansiedade. Não é para menos - aos 17 para 18 anos, a realidade coloca à frente deles uma decisão que poderá influenciar todos os aspectos de suas vidas pelos próximos 30 anos. Simples, não é? Nem um pouco!

No que se refere ao processo decisório, tudo está do avesso. A começar pela idade. Aos 17 anos, o jovem não tem maturidade para uma decisão dessa envergadura, salvo exceções. O preparo que ele recebeu na escola foi todo voltado a passar no vestibular e muito pouco a saber o que queria ser, seu propósito de vida. Mas o fato é que não dá para correr. É assim que funciona e a escolha tem de ser feita.

A escolha profissional será determinante para o sucesso profissional e até mesmo para a felicidade pessoal. Fazer o que gosta e escolher uma profissão alinhada com sua inclinação resultará num profissional que dá o máximo de si, que coloca sua energia no trabalho, mas a percebe retornando em dobro. A sensação de um trabalho gratificante. O inverso é preocupante. Um profissional que não faz o que gosta adoece, produz resultados aquém do que pode, vê sua autoestima despencar.

Até mesmo a vida familiar é afetada por esse campo de nossas vidas. A crise na vida profissional pode levar a problemas nos relacionamentos conjugais, no desempenho sexual, na saúde física e mental.

É comum vermos jovens que resolvem prestar vestibular sem ter a decisão clara do que querem construir na vida profissional . Já que passaram no vestibular, resolvem concluir o curso para depois ver se é isso mesmo. Quando concluem, já que estão formados, resolvem exercer e assim caminha.

Por volta dos 35/40 anos começam a viver uma crise forte na vida profissional. Quando procuram ajuda, podem trabalhar um redirecionamento de carreira, que não é nada fácil, mas é possível.
Quando não procuram ajuda, podem adoecer e ter problemas importantes na vida pessoal.

A participação dos pais neste momento é muito importante. Portanto, sugiro que lidem com essa questão delicada com o cuidado que merece. Os pais, na intenção de ajudar, muitas vezes acabam prejudicando. Cito duas posturas:

1. Pais que dirigem a escolha do filho. Seja para que escolha algo que eles gostariam de ter feito ou uma profissão que está em "alta".
2. Pais que, para não influenciar, ficam totalmente alheios: "Deixo que ele faça sua escolha!"

A postura mais indicada que costumo orientar aos pais é que sem dirigir a decisão do filho, nem influenciar de forma direta, participem do momento mostrando caminhos, levando-os a ter contato com algumas profissões e, principalmente, buscando a ajuda de um profissional. Não é bom que ele se sinta completamente sozinho nessa fase tão difícil. Dividir com o filho esse momento, no mínimo, faz com que ele se sinta mais seguro.

É importante que o jovem reflita sobre o conceito de missão, propósito de vida. Que conheça seus traços de inclinação profissional (existem métodos que avaliam isso). Acreditem! Vale à pena investir um tempo maior buscando essas informações, do que querer "ganhar tempo", correndo para fazer uma faculdade e logo se formar.

 

Fonte: Site Emprego Certo