Notícias

“Lá vem o RH...”

Recursos Humanos, Desenvolvimento Organizacional, Gestão de Pessoas, de Talentos,... enfim, seja lá qual for o nome, o que realmente importa é que essa é a área que a cada dia mostra mais o seu valor organizacional. Com a tecnologia disponível nos dias atuais para todos os tamanhos e tipos de empresas, o fator humano tornou-se o diferencial competitivo do mundo corporativo. Mas, mesmo com toda essa valorização, como anda a imagem da área?

Desde o processo seletivo, não são incomuns queixas de candidatos, pela forma como são atendidos e tratados, pelos requisitos, etapas dos processos, ferramentas utilizadas, etc. Enquanto os selecionadores muitas vezes conduzem os processos procurando no avaliado razões para indicá-lo ou não, muitos candidatos passam pela seleção como quem passa por um obstáculo desagradável a ser superado.

Em muitos casos, a atitude acaba sendo parecida com a de dois oponentes que se avaliam para identificar forças e fraquezas antes de agir. Só que o profissional de Recursos Humanos tem uma vaga a preencher e – acreditem! – normalmente, ele está ansioso para fazê-lo.  Enquanto isso, o candidato quer a vaga, muitas vezes às custas do que for preciso, sem considerar que, conseguindo a oportunidade inadequada, corre o sério risco de, em breve, estar novamente em busca de uma recolocação, o que não contribuirá positivamente para seu curriculum.

Uma vez dentro da empresa, surgem os programas de desenvolvimento. Cada convocação para treinamento parece um convite à tortura. Mesmo quem tem consciência da importância do evento para sua atuação e seu curriculum, não consegue deixar de retorcer o nariz para uma convocação.

Em sala de aula, já ministrei cursos enquanto alunos faziam relatórios, atualizavam contatos no celular, ou até mesmo passavam bilhetes aos colegas – infelizmente este não parece ser um hábito que termina com a escola primária... Também já acompanhei programas lindíssimos de e-learning serem passados com a mesma displicência que se folheia uma revista numa sala de espera de um consultório médico.

A frase típica é “lá vem o RH...”. Expressão esta, aliás, que é também utilizada para campanhas motivacionais, processos de avaliação de desempenho, além de muitas ações da área, e que indica claramente a imagem que o funcionário tem do RH.

Muitas vezes este comportamento acaba sendo resultado da frustração que o funcionário sente por não ter suas expectativas correspondidas. Pois é comum o colaborador esperar que o RH atue como um defensor de seus ideais profissionais, enquanto este não é o real papel da área.

É fato indiscutível no meio corporativo que funcionários felizes produzem mais e melhor, portanto, é claro que o RH deve se preocupar com as expectativas dos colaboradores. Seria muito fácil e até muito prazeroso atender integralmente as solicitações dos funcionários, mas o RH também tem que atender a empresa. Assim, ao invés de atender os desejos de um ou de outro, a área acaba por tornar-se mediadora das expectativas de todas as partes.

Além da frustração, outro fator que impacta seriamente na imagem do RH é o líder. Não é difícil encontrar nas empresas gestores que se escondem por trás das regras e até mesmo do RH. “Eu até gostaria, mas não posso porque a regra da empresa diz...”; “Por mim, eu te daria um aumento, mas o RH não autorizou...”.

É um desafio para um gestor dizer “não” sem comprometer a própria imagem e, principalmente, sem desmotivar o funcionário. Então, para se proteger e não ter que se desenrolar em argumentos para justificar sua decisão, acaba por “culpar” uma entidade ausente – seja o RH, as regras que supostamente o RH impôs, quando não direciona a culpa para a Matriz da empresa, ou para a Diretoria.

Normalmente o RH alinha junto à direção da empresa as políticas de gestão das pessoas, mas não tem poder de decisão sobre promoções, aumentos, enfim, sobre alterações individuais. Da mesma forma que, num processo seletivo, na grande maioria dos casos, a decisão final de contratação é do gestor da área. Ou seja, de um lado temos o ideal que as pessoas tem da área, e de outro, o verdadeiro RH que, normalmente tem muito menos poder do que se imagina.

Perfeito seria se todos conhecessem profundamente a alçada de decisão e a atuação das áreas de Recursos Humanos de suas respectivas empresas, para que pudessem avaliar e cobrar com consciência e clareza, mas, enquanto isso não acontece, infelizmente teremos que lidar com narizes retorcidos e “pérolas” como “lá vem o RH!”... que pena, não é mesmo?

Flávia Garbo

Flávia Garbo
Gerente de Desenvolvimento Organizacional da Luandre


Veja mais notícias