Coluna do Teco

Seu futuro

Caro leitor, poucas vezes em um espaço tão pequeno alguém lhe apresentará um texto com tantas boas notícias X apenas duas más notícias. Quem sabe seja o momento inclusive de tirar os sapatos ou abrir uma cerveja...

Se você tem mais de 30 ou 35 anos pense nos seus avós ou nos avós dos seus amigos. O que aparece na maioria das vezes? Um senhor “fofinho” de pijamas de flanelas fazendo palavra cruzadas ou jogando dominó? Alguém saudosista?

Até outro dia o plano de vida de alguém era simples: trabalhava-se até os 60 / 65 anos; dos 65 aos 70 não se fazia nada muito diferente de damas / dominó / filhos e netos; dos 70 aos 75 começava o rodízio sem fim de doenças a serem curadas; dos 75/80 em diante era lucro.

A primeira boa notícia dessa coluna é que isso está acabando. Graças à medicina, alimentação balanceada, exercícios apropriados, vitaminas, nomes complicados de coisas que vendem pelo telefone e uma tonelada de “personal alguma coisa”, ganhamos, SEM PEDIR, em média uns 15 anos a mais de vida.

A outra boa notícia é que não ganhamos apenas os anos... junto veio uma qualidade de vida melhor, ou seja, hoje é muito possível chegar aos 70 anos muito bem. Mas não é só isso (estilo promoção daqueles produtos que vendem na TV), além de vivermos mais e melhor, temos muito mais opções e desejos para realizar hoje em dia.

Existem inclusive empresas que só trabalham com turismo / entretenimento para pessoas mais velhas. Isso tudo, meu amigo, significa que quando parar de trabalhar aos 60 ou 65, ainda temos muita coisa pra fazer e conhecer. Acabou a era do dominó e pijama!!! 

Junte tudo a uma oferta imensa de lugares para passear, o esquema “tudo incluso em 15 vezes” e praticamente temos programa garantido pra sempre. O netinho se quiser que venha junto!!!

Posso imaginar a cara do(a) leitor(a) agora... quanta felicidade em meia página.

Claro que pra tudo isso tenho que informar as duas más notícias, mas vejam bem, são apenas duas.

1 – Esse “senhor” que está lhe dando 15 ou 20 anos a mais de vida, com qualidade e com milhares de opções, infelizmente, não manda junto o dinheiro para todos os passeios e também não manda o dinheiro para as coisas triviais que serão consumidas nesses anos a mais.

2 – Você, em tese, não consegue ir a nenhum guichê para devolver esses anos ou trocar por uma máquina de lavar roupas, o que significa que a menos que cometa o suicídio (por favor, nem pense nessa bobagem), esse “presente” É SEM DEVOLUÇÃO.

Assim sendo, podemos nos dividir em dois grupos nesse assunto:

Grupo A – ganhou 15 ou 20 anos e isso é ótimo.
Grupo B – ganhou 15 ou 20 anos e agora?

O que fazer é mais ou menos óbvio e não irei repetir nessa coluna. Se puder dar um conselho é que façam esse assunto entrar na cabeça dos seus filhos o quanto antes. Aqui a conta também é bastante simples e óbvia: quanto antes começarem a juntar dinheiro, mais rápido se termina e mais simples é o processo.

Vocês não precisam deixá-los aposentados, mais importante é deixá-los informados e preocupados com o assunto. Certamente isso será mais útil lá na frente.

Colocar o seu filho no grupo A não significa que ele permanecerá nele até os 70 anos; ensinar o seu filho a estar no grupo A, pode ajudá-lo a ficar lá e se for o caso até entrar no grupo A.

 

Luiz Gustavo Medina


Formado em Administração de empresa pela PUC e com MBA em Finanças pelo Ibmec Business School. Atua no mercado financeiro há quase 10 anos e é sócio da M2 Investimentos, empresa especializada em alocação de recursos. Além disso, Luiz é controller da Consultoria em Recursos Humanos Luandre, escreveu livros sobre ações de mercado, como “Investindo em Ações – os primeiros passos” e “Investindo sem erro”, e é apresentador da Rádio CBN.
 
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